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Gestão Odontológica
· 10 min de leitura

Parcelamento em clínicas odontológicas: como definir condições comerciais sem destruir sua margem

Por Equipe Telivra

Oferecer parcelamento pode aumentar a taxa de fechamento de tratamentos odontológicos. Mas existe um risco importante: a clínica pode vender mais e, ainda assim, ganhar menos dinheiro.

Introdução

Oferecer parcelamento pode aumentar a taxa de fechamento de tratamentos odontológicos. Mas existe um risco importante: a clínica pode vender mais e, ainda assim, ganhar menos dinheiro.

Isso acontece quando as condições comerciais são definidas apenas com base no valor da parcela que o paciente consegue pagar, sem considerar:

  • taxas de cartão;
  • custo do parcelamento;
  • antecipação de recebíveis;
  • descontos concedidos;
  • prazo de recebimento;
  • necessidade de capital de giro;
  • margem mínima do procedimento;
  • custo financeiro do dinheiro ao longo do tempo.

Por isso, parcelamento não deve ser tratado apenas como uma facilidade comercial.

Ele também é uma decisão financeira.

Neste artigo, você vai entender como estruturar uma política de parcelamento para clínica odontológica de forma mais segura e como avaliar entrada, número de parcelas, desconto, antecipação de recebíveis e impacto no fluxo de caixa.


Parcelamento não é a mesma coisa que precificação

Um dos erros mais comuns na gestão financeira de clínicas odontológicas é misturar duas decisões diferentes:

  1. quanto cobrar pelo procedimento;
  2. como o paciente irá pagar.

A precificação responde:

Quanto este procedimento precisa custar para cobrir seus custos e gerar a margem desejada?

Já a política comercial responde:

Em quais condições esse preço pode ser oferecido ao paciente?

Essas duas análises precisam estar relacionadas, mas não devem ser confundidas.

Um procedimento pode estar corretamente precificado e ainda assim gerar uma margem ruim se for vendido em uma condição financeira inadequada.


O problema de olhar apenas para o valor da parcela

Imagine um tratamento de:

R$ 12.000

Para facilitar o fechamento, a clínica oferece:

12 parcelas de R$ 1.000

Comercialmente, parece simples.

Financeiramente, porém, a clínica precisa responder:

  • quanto será efetivamente recebido?
  • quando cada parcela será recebida?
  • qual será o custo da adquirente?
  • haverá antecipação?
  • qual será o custo dessa antecipação?
  • haverá desconto?
  • quanto sobra depois dos custos do procedimento?

Sem essas respostas, a clínica está tomando uma decisão comercial sem conhecer completamente o resultado financeiro.


O preço anunciado não é necessariamente o valor recebido

Quando um tratamento é vendido por R$ 12.000 no cartão, isso não significa que R$ 12.000 entrarão no caixa da clínica.

Podem existir diferentes custos financeiros.

Taxa da adquirente

É a taxa cobrada pela empresa responsável pelo processamento do cartão.

Dependendo da negociação da clínica, da bandeira, da modalidade e do número de parcelas, essa taxa pode variar.

Custo do parcelamento

Em algumas estruturas, quanto maior o número de parcelas, maior pode ser o custo da transação.

Antecipação de recebíveis

Se a clínica quiser receber antes do prazo normal, pode ser necessário antecipar os recebíveis.

Essa antecipação também possui custo.

Portanto, uma venda de R$ 12.000 pode resultar em um recebimento líquido significativamente menor.


O parcelamento pode reduzir a margem do procedimento

Considere um exemplo simplificado.

Situação inicial

Preço do procedimento:

R$ 10.000

Custos diretos e variáveis:

R$ 5.500

Margem antes dos custos financeiros:

R$ 4.500

Margem percentual:

45%

Agora suponha que, depois das taxas de cartão e antecipação, a clínica receba apenas:

R$ 9.000

A margem passa a ser:

R$ 3.500

Ou:

35%

A clínica não alterou o procedimento.

Não aumentou custos clínicos.

Não aumentou o custo do laboratório.

A redução da margem aconteceu exclusivamente por causa da condição comercial.


Entrada é uma ferramenta financeira, não apenas comercial

A entrada pode reduzir significativamente o risco financeiro de uma venda parcelada.

Considere novamente um tratamento de:

R$ 10.000

Em vez de vender todo o valor em 12 parcelas, a clínica poderia solicitar:

30% de entrada

Entrada:

R$ 3.000

Saldo financiado:

R$ 7.000

A clínica passa a financiar apenas parte do tratamento.

Isso pode gerar vários benefícios:

  • melhora o caixa imediato;
  • reduz a necessidade de antecipação;
  • reduz o valor submetido às taxas financeiras;
  • diminui a exposição da clínica;
  • melhora o capital de giro.

Por esse motivo, a entrada deveria fazer parte da política comercial da clínica.


Quanto maior o parcelamento, maior pode ser a necessidade de capital de giro

Esse ponto costuma ser negligenciado.

A clínica pode realizar grande parte do tratamento antes de receber todo o valor da venda.

Imagine que um tratamento envolva:

  • laboratório;
  • implantes;
  • componentes;
  • materiais;
  • comissão ou repasse profissional.

Grande parte dessas despesas pode acontecer nas primeiras semanas.

Mas o paciente pode pagar durante:

  • 6 meses;
  • 12 meses;
  • 18 meses;
  • ou mais.

A clínica, portanto, pode ter que financiar o próprio tratamento.

Esse descasamento entre pagamento dos custos e recebimento das vendas aumenta a necessidade de capital de giro.


A pergunta certa não é apenas "em quantas vezes?"

Em muitas clínicas, a negociação comercial acaba seguindo esta lógica:

"Em quantas vezes o paciente precisa para conseguir fechar?"

Essa pergunta é válida, mas incompleta.

A clínica também deveria perguntar:

"Em quantas vezes podemos vender sem comprometer excessivamente nossa margem e nosso caixa?"

O objetivo é encontrar equilíbrio entre:

  • capacidade de pagamento do paciente;
  • conversão comercial;
  • margem da clínica;
  • geração de caixa.

Desconto à vista pode ser melhor do que parcelamento

Algumas clínicas evitam oferecer desconto à vista porque enxergam o desconto apenas como perda de receita.

Mas é necessário comparar o desconto com o custo do parcelamento.

Considere:

Preço do tratamento:

R$ 10.000

Opção 1:

R$ 10.000 em 12 vezes

Depois das taxas financeiras, o valor econômico recebido pela clínica pode ficar, por exemplo, em:

R$ 9.200

Opção 2:

Pagamento à vista por:

R$ 9.300

Nesse caso, oferecer 7% de desconto à vista pode gerar resultado financeiro superior ao parcelamento.

A análise correta, portanto, não é:

"Quanto estou dando de desconto?"

E sim:

"Qual condição gera o melhor resultado econômico para a clínica?"


O que é desconto equivalente?

O desconto equivalente é uma forma de comparar corretamente uma venda à vista com uma venda parcelada.

Suponha:

Preço cheio:

R$ 10.000

Venda em 12 parcelas.

Depois de considerar taxas, antecipação e custo financeiro, o valor econômico dessa venda é:

R$ 9.100

Isso significa que receber R$ 9.100 à vista seria financeiramente semelhante àquela venda de R$ 10.000 parcelada.

Nesse exemplo, o desconto equivalente seria aproximadamente:

9%

Essa informação pode ser extremamente útil na negociação com o paciente.


Antecipar recebíveis é sempre ruim?

Não necessariamente.

A antecipação tem um custo, mas também pode resolver uma necessidade financeira real da clínica.

O problema não está necessariamente em antecipar.

O problema está em antecipar sem conhecer:

  • o custo;
  • o impacto na margem;
  • a necessidade real de caixa.

Se a clínica precisa antecipar constantemente para pagar suas despesas correntes, isso pode indicar um problema estrutural de fluxo de caixa.


A antecipação precisa ser analisada parcela por parcela

Outro cuidado importante é a forma de calcular o custo da antecipação.

Uma parcela que seria recebida em 30 dias não possui o mesmo custo financeiro de uma parcela que seria recebida em 12 meses.

Por isso, uma análise mais precisa deve considerar o prazo individual de cada recebível.

Quanto mais distante o recebimento, maior tende a ser o efeito financeiro da antecipação.


O valor do dinheiro muda com o tempo

R$ 10.000 recebidos hoje não são financeiramente iguais a R$ 10.000 recebidos ao longo de 12 meses.

Existem vários motivos:

  • inflação;
  • custo de capital;
  • custo de oportunidade;
  • necessidade de caixa;
  • risco.

Por isso, uma análise financeira mais completa pode utilizar o conceito de valor presente.


O que é valor presente?

Valor presente é uma forma de trazer os recebimentos futuros para o seu equivalente financeiro atual.

De maneira simplificada:

Valor Presente = Valor Futuro / (1 + taxa)^período

Se a clínica possui determinado custo de capital, os recebimentos futuros podem ser descontados por essa taxa.

Isso permite comparar de forma mais justa:

  • pagamento à vista;
  • 6 parcelas;
  • 12 parcelas;
  • 18 parcelas.

Como estruturar uma política de parcelamento para clínica odontológica

Uma boa política comercial deveria estabelecer regras antes da negociação com o paciente.

Por exemplo:

Pagamento à vista

  • preço cheio;
  • desconto máximo permitido.

Parcelamento curto

  • número máximo de parcelas sem necessidade de entrada;
  • regras de cartão.

Parcelamento longo

  • entrada mínima;
  • número máximo de parcelas;
  • margem mínima.

Descontos

  • limite que o vendedor pode conceder;
  • limite que exige aprovação de gerente;
  • limite que exige autorização da direção.

Isso evita decisões improvisadas durante a negociação.


Exemplo de política comercial

Imagine um tratamento com preço-base de:

R$ 15.000

A clínica poderia estabelecer:

PIX

Até 5% de desconto.

Cartão até 6 vezes

Preço normal.

De 7 a 12 vezes

Entrada mínima de 20%.

De 13 a 18 vezes

Entrada mínima de 30%.

Acima de 18 vezes

Necessidade de aprovação gerencial.

Esse é apenas um exemplo.

As regras precisam ser calculadas com base nos custos e nas taxas reais de cada clínica.


Quais informações deveriam ser analisadas antes de aprovar uma condição?

Uma ferramenta de simulação comercial deveria mostrar pelo menos:

  • preço do procedimento;
  • desconto;
  • valor da entrada;
  • saldo parcelado;
  • número de parcelas;
  • valor da parcela;
  • custo do cartão;
  • custo da antecipação;
  • valor líquido recebido;
  • fluxo de recebimentos;
  • margem final;
  • prazo médio de recebimento;
  • valor presente.

Com essas informações, a negociação deixa de ser baseada apenas em percepção.


Compare diferentes cenários antes da venda

Uma prática interessante é comparar diferentes alternativas.

Exemplo:

CondiçãoValor ao pacienteRecebimento líquidoPrazo
PIX com descontoR$ 9.500R$ 9.500imediato
Cartão 6xR$ 10.000R$ 9.600parcelado
Cartão 12xR$ 10.000R$ 9.200parcelado
30% entrada + 12xR$ 10.000depende das taxasmisto

A clínica pode então avaliar não apenas qual condição parece melhor para o paciente, mas também qual impacto cada alternativa provoca no negócio.


O comercial não precisa conhecer toda a matemática financeira

Uma política comercial eficiente não significa que o consultor precisa fazer contas complexas durante a negociação.

O ideal é que a gestão defina antecipadamente:

  • limites;
  • regras;
  • descontos;
  • entradas mínimas;
  • quantidade máxima de parcelas.

O vendedor pode receber informações simples como:

Condição permitida.

ou:

Para 18 parcelas é necessária entrada mínima de 30%.

A complexidade deve ficar nos bastidores.


Parcelamento pode aumentar vendas, mas também pode esconder problemas

Quando bem utilizado, o parcelamento pode:

  • facilitar a decisão do paciente;
  • aumentar conversão;
  • ampliar ticket médio;
  • tornar tratamentos maiores mais acessíveis.

Mas, quando mal estruturado, pode:

  • reduzir margem;
  • aumentar custos financeiros;
  • gerar falta de caixa;
  • criar dependência de antecipação;
  • elevar necessidade de capital de giro.

Por isso, vender mais não significa necessariamente gerar mais resultado.


Como saber se sua clínica está parcelando demais?

Alguns sinais merecem atenção:

  • necessidade frequente de antecipação;
  • aumento do faturamento sem crescimento proporcional do caixa;
  • dificuldade para pagar laboratório ou fornecedores;
  • grande volume de recebíveis futuros;
  • concessão frequente de descontos;
  • ausência de entrada em tratamentos de alto valor;
  • decisões diferentes para pacientes semelhantes.

Esses sinais indicam que a política comercial pode precisar ser revisada.


Precificação e parcelamento devem trabalhar juntos

A gestão ideal possui duas etapas.

Etapa 1 — Precificação

Determinar quanto o procedimento deve custar.

Considerar:

  • custos;
  • estrutura;
  • profissionais;
  • impostos;
  • margem desejada.

Etapa 2 — Condições comerciais

Definir como esse preço pode ser vendido.

Considerar:

  • desconto;
  • entrada;
  • parcelas;
  • taxas;
  • antecipação;
  • fluxo de caixa.

Separar essas duas análises aumenta significativamente a qualidade da decisão.


Conclusão

Parcelamento é uma poderosa ferramenta comercial para clínicas odontológicas.

Mas também é uma forma de financiamento.

Quando uma clínica oferece 12, 18 ou mais parcelas, existe um impacto financeiro associado àquela decisão.

Por isso, antes de definir condições comerciais, é importante entender:

  • quanto a clínica realmente receberá;
  • quando receberá;
  • quanto pagará em taxas;
  • quanto perderá de margem;
  • quanto precisará financiar com recursos próprios.

Uma política comercial bem estruturada permite negociar melhor com o paciente sem transformar flexibilidade de pagamento em perda de rentabilidade.

O objetivo não é necessariamente oferecer menos parcelas.

É saber quanto custa oferecer cada condição e estabelecer limites seguros para a clínica.

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Perguntas frequentes

Respostas diretas sobre parcelamento em clínicas odontológicas: como definir condições comerciais sem destruir sua margem.

Não existe um número universal de parcelas. A quantidade adequada depende do preço do tratamento, taxas financeiras, entrada, custos do procedimento, necessidade de capital de giro e margem mínima definida pela clínica.
Depende do custo financeiro do parcelamento. Em determinadas situações, um desconto à vista pode ser financeiramente mais vantajoso do que receber o valor integral em muitas parcelas. A comparação deve considerar o valor líquido e o valor presente de cada alternativa.
A definição depende da política comercial adotada pela clínica e das condições financeiras da operação. O ponto fundamental é que o custo do parcelamento seja conhecido e considerado na decisão.
Primeiro, calcule o valor líquido efetivamente recebido pela clínica após todas as taxas. Depois, desconte os custos do procedimento. A diferença corresponde à margem financeira daquela venda.
É a operação em que a clínica recebe antecipadamente valores que seriam pagos pela adquirente em datas futuras. Em troca, existe um custo financeiro.
Pode valer a pena quando existe necessidade de caixa ou quando o custo da antecipação é compatível com a margem da operação. A decisão deve ser analisada financeiramente e não adotada automaticamente.
Não existe percentual único. A entrada pode ser calculada com base nos custos iniciais do tratamento, margem mínima desejada, prazo do parcelamento e necessidade de capital de giro. Tratamentos com altos custos iniciais podem exigir entradas maiores.
É o maior desconto que pode ser concedido sem ultrapassar determinado limite financeiro definido pela clínica. Esse limite pode ser baseado na margem mínima desejada.
É o desconto à vista que gera resultado financeiro semelhante ao de determinada condição parcelada. Ele ajuda a comparar corretamente uma venda à vista com uma venda financiada.
O parcelamento pode facilitar vendas e aumentar o faturamento contratado. Mas isso não significa necessariamente aumento proporcional do caixa ou do lucro. É necessário avaliar taxas financeiras, prazo de recebimento e margem.
Sim. Quanto maior o prazo de recebimento, maior pode ser o descasamento entre os custos do tratamento e a entrada do dinheiro. Isso pode aumentar a necessidade de capital de giro.
A política pode definir previamente: * desconto máximo; * entrada mínima; * número máximo de parcelas; * regras por faixa de parcelamento; * margem mínima; * alçadas de aprovação. Essas regras devem ser baseadas em dados financeiros reais da clínica. # Resumo rápido Uma política de parcelamento saudável deve responder cinco perguntas: 1. Quanto o paciente pagará? 2. Quanto a clínica realmente receberá? 3. Quando esse dinheiro será recebido? 4. Quanto a operação consumirá de margem? 5. A condição cabe no fluxo de caixa da clínica? Se essas respostas não estiverem claras, provavelmente a clínica ainda não possui uma verdadeira política de parcelamento — possui apenas uma forma de dividir o preço.

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