Clínica reduz inadimplência pela metade e passa a fechar o mês com DRE
Clínica odontológica de pequeno porte, sem visibilidade financeira, implantou régua de cobrança e BPO financeiro — e em 90 dias cortou a inadimplência pela metade.
Publicado em 12 de outubro de 2026
Contexto
Clínica odontológica em cidade de pequeno porte no interior do estado de São Paulo, com 2 cadeiras, 3 cirurgiões-dentistas e 3 colaboradores. Faturamento médio na faixa de R$ 85 mil mensais. A rotina financeira era tocada pela recepção entre um atendimento e outro: cobranças de pacientes em atraso aconteciam "quando dava", a conciliação dos recebíveis de cartão não era feita e a contabilidade chegava apenas para obrigações fiscais.
Problema identificado
O problema central era a ausência de processo financeiro: dinheiro entrava todos os dias, mas ninguém sabia exatamente quanto ficava de lucro, nem quanto estava em atraso. A inadimplência era percebida "no sentimento" e cobrada de forma inconsistente — alguns pacientes recebiam ligação, outros simplesmente prescreviam.
Sem DRE mensal nem fluxo de caixa projetado, decisões como compra de equipamentos e contratações eram tomadas no escuro. A proprietária trabalhava mais a cada ano sem sentir o resultado no bolso.
Diagnóstico
O diagnóstico inicial levantou três frentes de indicadores:
- Inadimplência real: 5,8% do faturamento mensal estava em atraso superior a 30 dias, concentrado em parcelamentos próprios (carnês) sem régua de cobrança.
- Conciliação: não era feita — os recebíveis de cartão e demais entradas nunca eram conferidos.
- Visibilidade: inexistia DRE gerencial — a clínica não sabia a margem por procedimento nem o custo da hora de cadeira.
O cruzamento dos dados mostrou que o problema da clínica não era falta de movimento, mas a ausência de visibilidade financeira e de um processo de recebimento.
Solução implementada
A implantação seguiu a metodologia Telivra em duas frentes paralelas:
- Régua de cobrança multicanal: lembrete preventivo antes do vencimento, contato humanizado em D+1 de atraso e acordos digitais para negociação — retirando da recepção a decisão de "quem cobrar e quando".
- BPO financeiro: conciliação bancária e de adquirentes em 24h, organização de contas a pagar e receber, e fechamento de DRE mensal gerencial com margem por procedimento.
Em paralelo, a proprietária passou a ter uma reunião mensal de indicadores de 45 minutos, com pauta fixa sobre inadimplência, ocupação e resultado do mês.
Resultados
Em 90 dias de operação com a nova rotina, os indicadores de recebimento e visibilidade mudaram de patamar. A inadimplência caiu pela metade, os recebíveis passaram a ser conciliados diariamente e a clínica ganhou um DRE mensal que mostra, pela primeira vez, o lucro real.
O efeito indireto foi igualmente relevante: a recepção deixou de fazer cobranças reativas e a proprietária passou a decidir compras e retiradas de lucro com base em dados.
Inadimplência (>30 dias)
Antes → depois
Conciliação de recebíveis
Antes → depois
DRE gerencial
Antes → depois
Resultados observados neste caso específico — cada clínica parte de um ponto de partida diferente.
Aprendizados
- Agenda cheia não é sinônimo de lucro. Sem DRE e conciliação, a clínica pode crescer em receita e perder em margem sem perceber.
- Inadimplência é problema de processo, não de paciente. Uma régua preventiva e humanizada resolve a maior parte dos atrasos sem desgastar a relação.
- Terceirizar a operação libera a recepção. Cobrança e conciliação exigem rotina e método — não "tempo que sobra" entre atendimentos.
- Indicador sem reunião não gera resultado. A cadência mensal de análise é o que transforma dado em decisão.
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